"Havia uma menina, e seu tio a vendera, escrevia o senhor Ibis com sua caligrafia perfeita para uma placa de condecoração em cobre.
Esta é a história; o resto é detalhe.
Existem relatos que, se abrirmos nosso coração a eles, vão nos ferir muito profundamente. Olhe - aqui está um homem bom, bom de acordo com seu próprio ponto de vista e com o de seus amigos: é fiel e sincero para com a esposa, adora seus filhinhos e passa o maior tempo possível com eles, preocupa-se com seu país, faz seu trabalho pontualmente, da melhor maneira que pode. Então, com eficiência e boas intenções, extermina judeus: ele aprecia a música de fundo que toca para acalmá-los; adverte os judeus para que não esqueçam seus números de identificação quando vão para o banho - muitas pessoas, ele explica, esquecem seus números e pegam roupas erradas quando saem do banho. Isso acalma os judeus. Haverá vida, eles se asseguram, depois do banho. Nosso homem supervisiona os detalhes de levar os corpos até os fornos; e, se há alguma coisa que faz com que ele se sinta mal, é ainda permitir que a exterminação da gentalha com gás o afete. Se fosse um homem verdadeiramente bom, ele sabe, não sentiria nada além de alegria por ver a terra livre de suas pestes.
Havia uma menina, e seu tio a vendera. Colocado assim, parece tão simples.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Os Pesadelos de Laerte
Mais uma vez trazendo uma personagem de Sandman até vocês!
Delírio é a irmã mais nova dos Perpétuos, porém aparenta saber mais do que o próprio Destino. Seres humanos podem visitar seu reino facilmente, mas não o compreendem, por ser um emaranhado de cores e formas estranhas em mudança constante. Sua aparência também é variada, preferindo quase sempre uma criança de no máximo 14 anos com cabelos alaranjados, entretanto possui sempre olhos dispares, um azul e outro verde, pelos quais vê o mundo de maneiras diferentes. Também é muito apegada a seu irmão Destruição, do qual recebe um guardião, o cachorro Barnabás.
A personalidade de Delírio também é instável e facilmente abalada, e ela não consegue se concentrar por muito tempo numa só coisa. Quando o faz, sente dor.
Delírio um dia foi Deleite e só ela mesma sabe o por quê mudou. Dizem que no futuro mudará outra vez.
Para quem quiser conhecê-la - de preferência não pessoalmente - recomendo a hq Sandman. O texto abaixo é de minha autoria, inspirada na personagem e baseada num cenário criado por um amigo meu. Espero continuá-lo em breve.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Devaneios de uma escritora
"Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Certo, referente a matéria é uma ideia bem fácil de se compreender. Mas vamos esquecê-la por enquanto, pois a linha de pensamentos com a qual escrevo estas palavras não está ligada a questões puramente físicas. Aliás, nenhuma das minhas linhas de pensamento é assim.
Dizem que tudo chega ao fim. A morte para a vida, até o desgaste do que não é vivo, o tempo para lembranças ou sentimentos. Um ponto de vista muito fatídico e cruel que só desanima a fazer qualquer coisa que seja. Ponto de vista? Eu considero assim, pode ser analisado de outras formas... Esta eu não suporto. Se é verdade, talvez seja, o que não torna menor meu desagrado. Saber é diferente de aceitar.
Revirei minha cabeça sobre isso de fim diversas vezes, optando em muitas delas por ignorar tais pensamentos, em prol do meu bem-estar. Uma hora ou outra, porém, sempre vinha exigir espaço. Recolhi meia dúzia de livros e fui me distrair. No meio de alguns trechos, desviava-me sem querer.
Talvez você, um leitor atento,perceba que não raro nos pegamos tão presos à leitura que damos a ela vida própria em nossa mente. As palavras furtivamente voam do papel para o fundo de nossos pensamentos e criam novas ideias, antes mesmo que percebamos as intrusas. Esta é, sem dúvida, a maior magia da leitura e da escrita: unir numa só linha de pensamentos as ideias de quem escreve e quem lê.
Desta forma, talvez não seja tanta insanidade minha pensar que cada escritor - morto ou vivo - tem um pedaço de si depositado naquele que lê sua obra. É algo parecido, eu acho, com a polinização. O papel serve então como o vento ou as borboletas, até encontrar uma nova mente para reproduzir as ideias. Ideias podem ser imortais, e elas não deixam de ser parte de quem as gerou, uma espécie de imortalidade para eles também.
Parece-me um bom legado para deixar no mundo, não?
Dizem que tudo chega ao fim. A morte para a vida, até o desgaste do que não é vivo, o tempo para lembranças ou sentimentos. Um ponto de vista muito fatídico e cruel que só desanima a fazer qualquer coisa que seja. Ponto de vista? Eu considero assim, pode ser analisado de outras formas... Esta eu não suporto. Se é verdade, talvez seja, o que não torna menor meu desagrado. Saber é diferente de aceitar.
Revirei minha cabeça sobre isso de fim diversas vezes, optando em muitas delas por ignorar tais pensamentos, em prol do meu bem-estar. Uma hora ou outra, porém, sempre vinha exigir espaço. Recolhi meia dúzia de livros e fui me distrair. No meio de alguns trechos, desviava-me sem querer.
Talvez você, um leitor atento,perceba que não raro nos pegamos tão presos à leitura que damos a ela vida própria em nossa mente. As palavras furtivamente voam do papel para o fundo de nossos pensamentos e criam novas ideias, antes mesmo que percebamos as intrusas. Esta é, sem dúvida, a maior magia da leitura e da escrita: unir numa só linha de pensamentos as ideias de quem escreve e quem lê.
Desta forma, talvez não seja tanta insanidade minha pensar que cada escritor - morto ou vivo - tem um pedaço de si depositado naquele que lê sua obra. É algo parecido, eu acho, com a polinização. O papel serve então como o vento ou as borboletas, até encontrar uma nova mente para reproduzir as ideias. Ideias podem ser imortais, e elas não deixam de ser parte de quem as gerou, uma espécie de imortalidade para eles também.
Parece-me um bom legado para deixar no mundo, não?
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Mal Secreto, de Raimundo Correia
"Se
a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e
destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que
devora
O coração, no rosto se
estampasse;
Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda
um atroz, recôndito inimigo,
Como
invisível chaga cancerosa!
Quanta
gente que ri, talvez existe,
Cuja
ventura única consiste
Em
parecer aos outros venturosa!"
terça-feira, 31 de julho de 2012
Quadrinhos Psicóticos
"Na minha mesa, uma foto velha qualquer. Eu não tenho bem certeza qual de nós é real. Talvez eu seja apenas uma lembrança na mente de outra pessoa, uma cadeia de pensamentos que me deixa confuso e desorientado, algo na minha mente se move, se reogarniza.
Logo eu percebo...
... não tem nada a ver com idade."
Autor: Bruno Marafigo
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