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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Protótipos de trabalhos (um nome melhor seria "reflexões", mas deixa...)

" [...] Partindo da concepção da liberdade como principal expressão da individualidade, para identificá-la no meio social é necessário antes definir esta individualidade. No senso comum, há a exaltação de que a verdadeira individualidade do ser humano está presente nos seus aspectos mais independentes do mundo externo. Esquece-se assim de que o ser humano é amplamente influenciado desde o nascimento por aspectos alheios a ele, como a família, a escola, e até mesmo a herança genética. O que realmente diferencia um indivíduo de outro, a construção deles, é quais foram estas influências exteriores, como elas o atingiram e como se relacionam em síntese para gerar a consciência individual. O indivíduo é, na verdade, a totalidade de suas experiências.

A liberdade manifestaria o produto da síntese das experiências e relações entre estas dentro do ser humano. Ela mesma não estaria livre de influências e tampouco deve ser desvalorizada por isso, pois estas influências podem ter resultados diferentes de acordo com as vivências de cada indivíduo. São estas diferenças que criam novos pontos de vista, inventos, ideias e posteriormente modificações na sociedade, como por exemplo as revoluções sociais alterando nossos modos de vida, tornando-as assim a demonstração mais perceptível de como há liberdade social, porém observada através de um novo prisma que admite as influências como partes do indivíduo e não limitadoras de liberdade."
(10/04/2014)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Devaneios de uma escritora

"Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Certo, referente a matéria é uma ideia bem fácil de se compreender. Mas vamos esquecê-la por enquanto, pois a linha de pensamentos com a qual escrevo estas palavras não está ligada a questões puramente físicas. Aliás, nenhuma das minhas linhas de pensamento é assim.

Dizem que tudo chega ao fim. A morte para a vida, até o desgaste do que não é vivo, o tempo para lembranças ou sentimentos. Um ponto de vista muito fatídico e cruel que só desanima a fazer qualquer coisa que seja. Ponto de vista? Eu considero assim, pode ser analisado de outras formas... Esta eu não suporto. Se é verdade, talvez seja, o que não torna menor meu desagrado. Saber é diferente de aceitar.
Revirei minha cabeça sobre isso de fim diversas vezes, optando em muitas delas por ignorar tais pensamentos, em prol do meu bem-estar. Uma hora ou outra, porém, sempre vinha exigir espaço. Recolhi meia dúzia de livros e fui me distrair. No meio de alguns trechos, desviava-me sem querer.
Talvez você, um leitor atento,perceba que não raro nos pegamos tão presos à leitura que damos a ela vida própria em nossa mente. As palavras furtivamente voam do papel para o fundo de nossos pensamentos e criam novas ideias, antes mesmo que percebamos as intrusas. Esta é, sem dúvida, a maior magia da leitura e da escrita: unir numa só linha de pensamentos as ideias de quem escreve e quem lê.
Desta forma, talvez não seja tanta insanidade minha pensar que cada escritor - morto ou vivo - tem um pedaço de si depositado naquele que lê sua obra. É algo parecido, eu acho, com a polinização. O papel serve então como o vento ou as borboletas, até encontrar uma nova mente para reproduzir as ideias. Ideias podem ser imortais, e elas não deixam de ser parte de quem as gerou, uma espécie de imortalidade para eles também.


Parece-me um bom legado para deixar no mundo, não?

terça-feira, 31 de julho de 2012

Quadrinhos Psicóticos

"Na minha mesa, uma foto velha qualquer. Eu não tenho bem certeza qual de nós é real. Talvez eu seja apenas uma lembrança na mente de outra pessoa, uma cadeia de pensamentos que me deixa confuso e desorientado, algo na minha mente se move, se reogarniza.
Logo eu percebo...
... não tem nada a ver com idade."


Autor: Bruno Marafigo

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Contos aleatórios

Passei muito tempo sem escrever nada, como vocês podem notar pela frequência de posts. Muitas coisas acontecendo, muitos problemas, férias bem agitadas. Ontem, no entanto, decidi me obrigar a rabiscar algo no caderno. Primeiro pensei em escrever pensamentos, mas eles acabaram criando forma de uma narração, como num livrinho infantil e psicodélico cheio de significados ocultos. Como podem ver, está meio incompleto, mas como não faço a menor ideia de quando vou terminar, resolvi compartilhar logo.

"Era uma criança abandonada, um pequeno mundo sem rumo.
Seus habitantes: suas máscaras, responsáveis pelos pedaços de si.
Seus companheiros: mortos ou expulsos pelos monstros de seus erros.

Não sabia viver, não sabia cuidar.
Talvez não quisesse aprender a língua injusta dos homens.

Queria ter um lugar para onde pudesse voltar, um lugar só dela, onde seus pensamentos navegassem em paz.

Mas havia uma tempestade em sua pequena cabeça.
Trovões e relâmpagos intrusos, jogando-a contra pedras em ilhas incertas.
Roubando-a de si na menor oportunidade."

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Uma mensagem pessoal

No silêncio estão guardadas as mais poderosas palavras. 
As minhas, por exemplo, se diluem e formam ações, muitas vezes pequenas.
Poucos conseguem enxergar o quanto são importantes, porém estes poucos são aqueles que realmente as merecem, aqueles que realmente conseguem me ouvir.


domingo, 29 de abril de 2012

Pensamentos de uma noite qualquer...

Eu era (e ainda sou) minha protagonista no teatro da vida. Com a sutil diferença que, nesse "era" eu não era exatamente personagem, mas sim uma atriz. Eu me erguia de manhã e uma densa mistura de cenas e regras de encenação construíam meu script, ditando como eu devia desempenhar meu papel, dando-me então uma personagem para ser, invés de tornar-me uma. Todos somos atores e atrizes, porém não sei qual a porcentagem dos que se tornam personagens e os que apenas representam. Bem, voltemos a mim, porque houve um momento que deixei de representar.

Não existem mudanças súbitas, é necessário um impulso do mundo externo e uma complexa reestruturação interna. A análise foi meu fator principal, enquanto eu procurava perguntas nas respostas. Quando eu não encontrava respostas para essas perguntas, eu voltava as respostas que lhe originaram e descobria uma ambiguidade. Eu sei, parece um monte de informações jogadas ao vento.

Nós somos seres tão complexos que esquecemos o poder da simplicidade.

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Chuva

Eu gosto de admirar um clima frio, nublado e chuvoso. Não, isso não tem a menor relação com um comportamento pessimista da minha parte, muito pelo contrário. A chuva lava as feridas das cidades e de seus habitantes, ela acalma nossos corações e traz uma sensação de tranquilidade – muitas vezes associada à preguiça. Torna-nos mais pacientes também, com certa estabilidade emocional. E o desejo de estar perto de quem gostamos. A música das gotas atingindo o chão, os respingos fujões que às vezes nos atingem, são detalhes maravilhosos que só ela é capaz de proporcionar.

Bem, também tem seus contras: fica um tanto complicado sair de casa e a preguiça impera. Nada é perfeito. E mesmo assim eu me apaixonei pela chuva.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Individual e coletivo; curiosidades humanas...

Não gosto de ter um grande problema em mente. Claro, ninguém gosta, mas o meu motivo é um tanto singular. Quando temos um grande problema, toda a nossa mente se volta para ele, tudo que pensamos e o que fazemos leva um pouco dele. Isso é horrível, porque prende os pensamentos para uma só direção. Prefiro muito mais estar livre deste tipo de situação para poder refletir sobre os vários problemas que nos cercam, um assunto é sempre mais interessante quando abrange várias pessoas. A não ser que eu consiga estender meus problemas sobre problemas de outras pessoas, porém já estaria esticando demais pensamentos que ficariam desconfortáveis aqui, existe um bom motivo para não conseguirmos escrever tudo o que pensamos...

O ser humano nasce como parte um todo. Cada coisa no universo, aliás, é parte de um todo, porque basta a mudança de um para afetar outro(s) mais cedo ou mais tarde. Existe uma cena muito interessante no filme "O Curioso Caso de Benjamin Button", onde o narrador-personagem nos mostra isso muito bem no atropelamento de uma amiga (sim, eu sei que tem em outro filmes, mas esse foi o último que vi, ok?). Engraçado que apesar de toda essa interdependência o ser humano ainda é naturalmente individualista, ou egoísta, se preferir. Tudo que nós fazemos de alguma forma será para proveito próprio ou pelo menos tem como ser. Nós não fazemos algo apenas por fazer, existe um motivo que possui uma conexão com nosso próprio bem-estar. Hm, talvez, como parte do todo que somos, ajudar outra pessoa ajudará a nós mesmos um dia e a outras pessoas, se somos um, como dito no início deste parágrafo. Neste ponto, a individualidade me parece muito sem sentido.

Para finalizar essa discussão estranha, quero falar de um livro de psicologia que tenho lido esses dias. Chama-se "Luzes e Trevas da Alma", de Ignace Lepp e busca o inconsciente da alma utilizando-se também de outros psicólogos famosos. No livro, "ego", o "eu" na parte consciente da alma de uma pessoa, é naturalmente individualista; enquanto o inconsciente, mais especificamente a área que chama de "inconsciente coletivo", está interligado entre todos os humanos, por mais diferentes que sejam, é uma área única e igual em todos. Desta maneira, torna-se separada na mente humana o individual e o coletivo que está presente dentro de cada um.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Verdade

"Qualquer um pode falar qualquer coisa e nada pode me garantir ser verdade, além da minha própria crença."
(02/01/2012)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Feliz Ano Novo (continuação, agora sim é ano novo!)





Hoje um ciclo recomeça, acordamos prontos para mudar e melhorar, de cabeça erguida em direção aos nosso objetivos. Os amigos que ficaram nos darão forças, os amigos que se foram estão guardados em nossa memória. Mais uma vez estamos seguindo nossa estrada e saltando qualquer pedra que aparecer. Somos assim vitoriosos, desbravadores do futuro, descobrindo todo segundo o que é a vida para cada um de nós. Busque força em si mesmo, arrisque, viva e seja feliz! É tudo que desejo para todos.
Feliz ano novo, meus companheiros!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Escolhas

Acho que todos conhecem a música Epitáfio, dos Titãs, onde se reclama que devíamos viver mais cada momento de nossas vidas. É uma questão um tanto mais complicada do que parece. Devemos viver o hoje, mas também pensar no amanhã, e não só um ou outro. Precisamos do equilíbrio.
Sempre meço as consequências das minhas escolhas, analiso consequências, afim de tomar a melhor atitude possível. Certo, admito que existem excessões, momentos onde ajo sem pensar, mas isto não vem ao caso. Nem sempre as decisões são fáceis. A preferência é debater apenas com a razão, porém, quando um sentimento está envolvido, por mais fraco e incerto que ele seja, nós perdemos o controle. Nos enchemos de "se" e "talvez" que, somados  a esperança, nos banham de possibilidades e tornam a resposta inalcançável.
O que fazer? Correr o risco em busca da felicidade ou ficar satisfeito com a situação atual?
Eu sempre tive muito medo de arriscar, mas decidi abandoná-lo ultimamente e seguir mais minha intuição. Aposentei minha timidez e libertei um pouco mais de mim. Não me arrependi até agora e espero que continue assim, momentos importantes estão por vir. Desejem-me boa sorte ;)

sábado, 6 de agosto de 2011

Quando minha alma adoeceu...

Nós mudamos todos os dias. Envelhecemos, aprendemos, vivemos. Tudo muda. As casas, as pessoas, o chão, o céu. A cada segundo o mundo passa por mudanças e algumas nem percebemos. Porque, afinal, o tempo passa. Mas o que leva alguém a mudar radicalmente? Comigo foi uma doença.

Por volta da metade de Julho a dor nasceu. Ela consumia tudo que eu gostava, todos os meus objetivos, tudo que eu era. Meu mundo se tornou monótono e sem sentido, nem levantar da cama valia à pena. Passei muitos dias assim, perdi momentos que poderiam ter sido maravilhosos e também cheguei a brigar com alguns amigos. Acho que num momento como este o que você precisa é de alguém do seu lado e eu bem gostaria de dizer que tive. Alguém que com uma frase ou um gesto dê um novo sentido a minha vida ou coisa do tipo. Mas não e eu nem acredito que fosse possível. Fui eu mesma que ergui a cabeça e despertei, pois tenho uma vida para viver, tenho pessoas que se preocupam comigo, pessoas que precisam de mim. Ainda não me recuperei por completo, mas cada segundo que passei daquele jeito me trouxe novos pensamentos e novos aprendizados, e eu sei que mudei e que alguns não vão gostar. Mas era algo que aconteceria mais cedo ou mais tarde e me orgulho disso. Ainda assim eu quero agradecer àqueles que conseguiram pôr sorrisos no meu rosto, aos que se preocuparam comigo.

Então, aqui vai meu conselho: nunca espere por alguém. Mesmo que o mundo queira lhe ajudar, você nunca estará curado se não quiser. Não há nada mais forte do que a força que você pode conseguir em si mesmo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Matrix, um marco do cinema

   Ficção científica, efeitos especiais, animes, HQs, informática, literatura cyberpunk, religião, filosofia, etc. Todo o universo de Matrix – incluindo aqui não só os três filmes, mas também o anime Animatrix, o jogo Enter the Matrix e a HQ lançada apenas nos Estados Unidos - chama atenção por unir todas estas áreas e mais algumas. Não simplesmente jogá-las em algum canto citando-as às vezes, mas realmente utilizando-se delas, resultando num desenrolar incrível de uma história envolvente e inspiradora.
   Concentrando-se na filosofia, possui uma forte relação com estudos sobre a percepção e como os sentidos podem nos enganar. Os habitantes da Terra são mantidos em “cápsulas”, onde vivem num mundo virtual. Este mundo virtual é chamado de Matrix, um programa criado pelas máquinas, que dominaram uma Terra quase completamente destruída pelo ser humano. O programa é um mundo idêntico a antiga Terra, onde os humanos podem “viver” sem saber do que acontece na realidade. Cabos estão conectados a todo o corpo destes “adormecidos”. Eles possibilitam principalmente o controle do sistema nervoso, dando ainda mais a impressão da realidade, entretanto eles estavam privados desta. Aqui podemos lembrar dos filósofos Pirro (365 – 275 a.C.) e Husserl (1859 – 1938) que questionavam a ligação da percepção com a realidade e a verdade.
   Uma curiosidade no filme é que a primeira versão do programa Matrix, criada por outro programa intitulado “Arquiteto”, é desenvolvida para ser um mundo perfeito e acaba falhando. Assim ele cria uma segunda, que refletia as monstruosidades da natureza humana e também falha. Para criar uma versão que 99% dos humanos aceitassem, ele se une a outro programa intitulado “Oráculo”, um programa intuitivo que estudava a mente humana. Ainda assim há uma falha: aqueles 1% que descobrem a verdade e despertam. O ser humano é capaz de criar sua mente de maneira artificial? Acredito que não, já que ele mal conhece a própria mente. Matrix, sendo uma ficção científica, ainda mostra a imperfeição desta criação nestes 1% que despertam. Para mim, a mente humana é imperfeita de uma maneira tão complexa que nem mesmo nós a compreendemos. Talvez por isso tenhamos coisas como as emoções e os instintos, compondo um ser que apesar de confuso possui certo equilíbrio.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Um tempo meu - 3º parte

 "O semáforo mostra, orgulhoso, a sua luz vermelha. Os carros passam apressados. As pessoas continuam com a expressão de mesma coisa. Aí penso que em algum lugar do mundo acaba de nascer uma criança. Talvez essa criança venha a se tornar muito sábia e venha a escrever um livro que, no futuro, seja lido por muitas pessoas, em todas as partes do mundo. Até aquelas que eu nem sei o nome. Um menino escritor como Machado de Assis ou Shakespeare. Escreveria um livo que ensinasse as pessoas a se olharem e a sorrirem nos dias de chuva. Então o semáforo ficou verde e eu atravessei a rua e segui em frente."

Landeira, J. L; Baronto, L. E. O tempo em gêneros. São Paulo: Salesianas, 2008.

domingo, 17 de abril de 2011

Um tempo meu - 2º parte

 "Claro, de repente sou obrigado a olhar para o chão. Ou olhar em frente. Olhar em frente obriga-me a ver as pessoas apressadas, com expressão do mesmo no olhar, caminhando não interessa a ninguém para onde a não ser para elas mesmas. Talvez nem para elas lhes interesse. Uma delas passa e cospe no chão. Que coisa mais desagradável!

 Mas eu ando devagar, não vou deixar que a pressa dos outros contamine o meu passeio. Eu preciso filtrar tudo ao meu redor, alimentar-me do que vejo, respirar tudo, deixar o tempo pulsar em mim. As paredes, com a umidade da chuva, parecem ter as cores reforçadas. Como se fossem cores mais vivas, até o ar parece ficar mais vivo. Então, as cores vivas das paredes das casas, do chão molhado, das plantas, sei lá... até dos guarda-chuvas das pessoas apressadas, dos carros na rua respingando água suja nos outros, de tudo, enfim, contrasta com o céu cinza e frio. Nesse momento eu gosto de andar pela rua. Eu ando pelo mundo, devagar, naquele instante. Há música dentro de mim..."


Landeira, J. L; Baronto, L. E. O tempo em gêneros. São Paulo: Salesianas, 2008.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Um tempo meu - 1º parte

Achei esse texto no meu livro de Ensino Religioso. Eu nem gosto dessa matéria, minha escola é católica e acaba transformando em "Ensino Católico". Para pessoas que não são dessa religião é bem desconfortável ter que tirar nota boa nela, mas é a melhor escola da área, então... O texto é um tanto comprido, como já devem ter notado, separei em algumas partes para postar aos poucos.

"Um tempo meu

 Eu ando pela rua, observo as pessoas que passam apressadas perto de mim. Sim, perto de mim, mas não me enxergam. Bem, a grande maioria delas não me enxerga... É quase como se eu não existisse. É quase como se eu não existisse para elas. Apressadas, sempre apressadas. Os carros... As pessoas... Quem iria reparar em mim? Ainda mais em dia de chuva! As pessoas passam, guarda-chuvas abertos, apressadas, indo correndo para algum lugar. Elas não querem saber quem eu sou, o que eu penso, por que caminho devagar pela rua molhada. Pela rua, não; pela calçada. Os carros passam, rostos cansados dirigem apressados, mesmo quando andam devagar, por causa do trânsito lento, estão apressados e nós, do lado de fora, apenas temos de desviar dos respingos das águas das poças que os carros espalham ao passar. No rosto de todos que passam, uma expressão do mesmo, como se fossem para o mesmo lugar. Ou para lugar nenhum.

 Caem umas gotas preguiçosas do céu e eu imagino-me naqueles filmes em que tudo acontece em câmera lenta, muito devagar. É assim: eu levanto os olhos para o céu e vejo a chuva caindo, o meu guarda-chuva protege-me um pouco e o desenho cinza das nuvens no céu facilita a sensação de estar tudo parado, tudo parado menos a chuva que cai, em câmera lenta. Eu, muito longe de todas as pessoas, na verdade, eu muito longe de tudo, apenas, talvez, isso quando olho o céu e a chuva caindo, eu, talvez, apenas dentro de mim..."

Landeira, J. L; Baronto, L. E. O tempo em gêneros. São Paulo: Salesianas, 2008.