Mostrando postagens com marcador tributo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tributo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Uma taça feita de um crânio humano (tributo)

Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás - pobre caveira fria -
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais vale guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
- Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do réptil.

Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
...Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.

E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...

 Lord Byron



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Uma Ilha

   "Havia uma menina, e seu tio a vendera, escrevia o senhor Ibis com sua caligrafia perfeita para uma placa de condecoração em cobre.
   Esta é a história; o resto é detalhe.
   Existem relatos que, se abrirmos nosso coração a eles, vão nos ferir muito profundamente. Olhe - aqui está um homem bom, bom de acordo com seu próprio ponto de vista e com o de seus amigos: é fiel e sincero para com a esposa, adora seus filhinhos e passa o maior tempo possível com eles, preocupa-se com seu país, faz seu trabalho pontualmente, da melhor maneira que pode. Então, com eficiência e boas intenções, extermina judeus: ele aprecia a música de fundo que toca para acalmá-los; adverte os judeus para que não esqueçam seus números de identificação quando vão para o banho - muitas pessoas, ele explica, esquecem seus números e pegam roupas erradas quando saem do banho. Isso acalma os judeus. Haverá vida, eles se asseguram, depois do banho. Nosso homem supervisiona os detalhes de levar os corpos até os fornos; e, se há alguma coisa que faz com que ele se sinta mal, é ainda permitir que a exterminação da gentalha com gás o afete. Se fosse um homem verdadeiramente bom, ele sabe, não sentiria nada além de alegria por ver a terra livre de suas pestes.
   Havia uma menina, e seu tio a vendera. Colocado assim, parece tão simples.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Os Pesadelos de Laerte

Mais uma vez trazendo uma personagem de Sandman até vocês!
Delírio é a irmã mais nova dos Perpétuos, porém aparenta saber mais do que o próprio Destino. Seres humanos podem visitar seu reino facilmente, mas não o compreendem, por ser um emaranhado de cores e formas estranhas em mudança constante. Sua aparência também é variada, preferindo quase sempre uma criança de no máximo 14 anos com cabelos alaranjados, entretanto possui sempre olhos dispares, um azul e outro verde, pelos quais vê o mundo de maneiras diferentes. Também é muito apegada a seu irmão Destruição, do qual recebe um guardião, o cachorro Barnabás.
A personalidade de Delírio também é instável e facilmente abalada, e ela não consegue se concentrar por muito tempo numa só coisa. Quando o faz, sente dor.
Delírio um dia foi Deleite e só ela mesma sabe o por quê mudou. Dizem que no futuro mudará outra vez.
Para quem quiser conhecê-la - de preferência não pessoalmente - recomendo a hq Sandman. O texto abaixo é de minha autoria, inspirada na personagem e baseada num cenário criado por um amigo meu. Espero continuá-lo em breve.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Mal Secreto, de Raimundo Correia


"Se a cólera que espuma, a dor que mora
N'alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!"




sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um Breve Fim

Morte é uma personagem da editora Vertigo, uma divisão da DC Comics criada por Neil GaimanÉ a segunda irmã mais velha dos Perpétuos (sendo mais nova somente do que Destino). Morte se encontra com cada mortal duas vezes em sua vida: no nascimento, e na morte. Ela está fadada a ser o último ser a existir. Na tradução da edição especial Pequenos Perpétuos ela também é chamada de Desencarnação.
Morte parece sempre ser o perpétuo mais otimista e bem humorado (exceto por Destruição e Desejo, talvez) ao contrário de seu irmão mais novo, Sonho, sempre mórbido e melancólico. Ela sempre se veste com roupas góticas e carrega um colar na forma de Ankh, ironicamente o símbolo egípcio da vida. Tem cabelos negros, e pele muito pálida (essa última é característica comum a todos os da família).
Para quem quiser conhecê-la - de preferência não pessoalmente - recomendo a hq Sandman ou suas próprias revistas. O texto abaixo é de minha própria autoria, inspirada na personagem.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tributo à Noiva Cadáver [2/2]

“Com esta mão espantarei as suas tristezas;
Sua taça jamais ficará vazia, pois eu serei o seu vinho;
Com esta vela iluminarei o seu caminho na escuridão;
E com esta aliança eu lhe peço que seja minha.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tributo à Noiva Cadáver [1/2]

"Quando toco a vela acesa falta seu calor
Se me corto com uma faca não há dor
É verdade que ela vive e que a morte em mim está
Mas não deixo de sofrer
Não demora vai se ver
No meu rosto alguma lágrima rolar

[...]

Quando toco a vela acesa eu não sinto dor
Tanto faz se estou no frio ou no calor
O meu coração não bate, mas ainda assim se parte
E não deixa de sofrer, recusando se render
A morte em mim está
Mas ainda tenho lágrimas pra dar"
(Emily, A Noiva Cadáver)