terça-feira, 25 de março de 2014

Meus Amigos Imaginários me Ajudam a Escrever Histórias

"- Você e a garota, como estão? - joguei a pedrinha pra longe e quase acertei um gato, teria pedido desculpas se ele não estivesse correndo pra longe.

-Tudo bem, tudo na mesma. - ele sugou o cigarro, eu tinha várias metáforas desagradáveis sobre aquela ação, mas não fugiria do assunto agora.

- Que saco. Tudo precisa de um problema pra funcionar bem, ter um equilíbrio. Se você não tem problema, você é o problema. Sinto muito pelo namoro de vocês ser um saco. - não era verdade, digo, o pensamento era, meu sentimento não. Os dois eram bundões demais para estarem juntos.

- Isso é uma filosofia paranoica, pequena. - não consegui entender se ele sorriu zombando de mim ou se tinha atingindo meu ponto antes que eu o explicasse.

- E o que você pensa que nós somos hoje? A paranoia não acaba no assalto e no assassino. Tampouco em namorinhos, mas está aí também. É a essência humana atual: paranoia."
(25/03/2014)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Olhem só, uma historinha!

Então, apesar do que foi dito durante a atualização, eu vou sim continuar a postar (também) todas as histórias que conseguir fazer. Tenho um bocado acumuladas em pastas e na área de trabalho, que escrevi durante o último ano e por esquecimento ou qualquer outra coisa acabei não postando. Aqui vai uma.

" uma poeira branca sobre minhas pálpebras. Eu pisco e ela começa a cair. Manchas. Sinto um gosto forte na língua, vermelho, um gosto de reconhecimento mais instintivo do que consciente. O resto não sou eu.

Meus lábios se movem, ardem como agulhas, milhares de agulhas em linhas furando e puxando. Ardem em branco. E eu digo alguma coisa, mas não sou eu.

'Não... devia...'

Breve Atualização

Nada como desempoeirar um blog para se distrair, não é? Creio que sim. Pensei até em mudar o design, mas não veio nada criativo em mente, então deixa pra lá.

A atualização aqui explicitada será 95% pessoal, um aviso a quem acha isso um saco, pode parar de ler e aguardar os próximos textos. Para quem fica, comecemos:

Sou universitária agora (finalmente!), com minha tão sonhada faculdade de Psicologia. Sou meio hipócrita sempre que digo o quanto esperei ou batalhei por isso. Na verdade meu último ano na escola foi bastante relaxado e não precisei estudar por mais anos e anos para passar numa federal. A tranquilidade e a bagagem de aprendizado que carrego desde o fundamental foram suficientes, o que até me impressionou, depois das chamadas sem mim achei que tinha relaxado demais... Talvez tenha sido o curso, de concorrência não tão grande...

Enfim, dizer que me esforcei não é a palavra certa, mas me esforçarei dentro da universidade com toda certeza, por gostar muito do que irei estudar e para não correr mais riscos. Isso significa que agora tenho verdadeiros motivos para não ter tempo livre para escrever aqui (risos e um "mas então está voltando por quê?"), porém tenho me sentido inspirada com as aulas, os professores e o conteúdo. Sendo assim, a partir de agora este blog tende a ser muito mais eclético em conteúdo, com análises minhas diante do que estudo e da rotina que eu levo (que também está bem alterada), invés de só contos e poemas. Talvez ele se torne um verdadeiro lugar para anotações, mais ainda do que quando se chamava "Notas nas Paredes".

Para todos aqueles dois ou três que ainda visitam este blog - mesmo com os intervalos de anos inteiros entre algumas postagens (fiquei pasma quando vi as visitas nas estatísticas)- um longo abraço pelo seu apoio, e sintam-se todos bem-vindos de volta ao meu lar.

Abraços (de novo)
Ass, Babi Malk

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Noites e Flores

Para Helton Matiazi.

"No bosque, oculta pelas árvores do lago, a filha mais nova das rosas e dos espíritos selvagens observa o senhor da noite. Ele - pensador nato, sublime e solitário - refletia consigo, com as estrelas e com a lua, e com seus respectivos reflexos nas águas puras. Já ela - cujo coração puro nunca fora tocado pelos homens da terra, sendo então a última sobrevivente de sua linhagem esquecida - apenas o via e nada dizia, fascínio era este a hipnotizá-la.
Antes que o Sol despertasse ou que o rei dos mantos do breu eterno partisse, ela já estava a fugir para longe, questionando seus companheiros coelhos, raposas e borboletas do bosque que nada podiam lhe dizer. Intrigada e muito temerosa quanto aos seus pensamentos inquietos, subiu o monte até as campinas mais distantes e clamou por seu guardião.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Mirror 1 - Reflexões rápidas

"Sentada no trono de espelhos, ela espera. Em seu reino de espinhos, o vento sopra. Onde ele a levará agora? Pouco resta de suas terras devastadas afinal, pouco além das cinzas que o fim dos mundos deixou para trás. Ela traga a Morte para dentro de si, suturando a ferida em seu orgulho. Fragmentos pontudos rasgam seus pulsos quando o ódio, trancafiado nos confins mais obscuros de seu peito, lhe obriga a apertar o vidro rachado, semicerrando os olhos encharcados, e seu sangue jorra no reflexo dantesco. Ela está em fúria, enfrentando pura e simples dor inimaginável. Por que não se parte de uma vez? Por que seu coração insiste em bater? O que há de errado?
A menina, garota, mulher, ergue-se e caminha por entre o jardim, perfurando seus pés a cada passo e deixando um rastro de si para trás. Nenhuma lágrima cai. Na imensidão não há vida ou esperança, nada que possa guiá-la. Ela não precisa, atingira seu objetivo de uma forma ou de outra, e o que tinha em mãos não era nada mais do que a promessa de um futuro, porém um futuro vazio. Um futuro vermelho, cinza e preto.
Há guerra por toda a parte, esta é a verdade. Guerras incessantes rasgando seu passado e seu presente, sua alma podre. As labaredas que nunca se apagam, devorando, consumindo, tudo que um dia ela fora ou que lhe pertencera. Tudo. Uma vida, uma morte. 

Contradizendo expectativas e possibilidades... a criança sente o desejo ardente de erguer seu sussurro num grito.
Não, sua pequena guerra pessoal ainda não chegou ao fim. Algo também a espera.

O vento outra vez ressoou num assobio musical. O som, entretanto, provinha dos lábios de Cedric, junto à porta do salão principal. Ele a fitava com um sorriso tímido, porém venenoso, o bastardo infiel...
- Tente não se perder, Irium... – Cedric deu meia volta e partiu para o corredor.
Ela esfrega os olhos, suspirando, e segue com ele arrastando seus pés, sonolenta. Em que estava pensando mesmo?"